sábado, 20 de abril de 2024

Liberdade

     Faz este ano 50 anos que Portugal conquistou a liberdade, algo muito merecido. Mas o mesmo país que por ela lutou, dela se esqueceu. 

    Os jovens de hoje mostram-se esquecidos ou talvez propositadamente distraídos do significado da palavra liberdade. Também os mais velhos parecem não se lembrar de quando não a tinham. A liberdade. Sim, convém escrevê-la algumas vezes, para que fique bem clara na mente de quem lê. 

    Mas o que significa a liberdade? Para Portugal, significa poder falar, escrever e até pensar sem medo. Para as mulheres, em especifico, significa poder andar andar na rua de noite sem qualquer medo, poder decidir o que vestir, em que partido votar, ter dinheiro próprio na carteira, poder ser advogada e até mesmo viajar sem qualquer assinatura de um homem. E por falar neles, a liberdade para os homens significa poder exprimir os seus sentimentos e até chorar sem terem de se reprimir. 

    A liberdade é a palavra menos literal que conheço no dicionário português. Se para uns significa correr para bem longe, para outros significa ficar e dar o abraço mais apertado. No entanto, apenas à pouco tempo descobri isto, ao mesmo tempo em que descobri que, para quem sempre teve, quando esta vem sem supervisão, assusta. Porque estamos por nossa conta, porque qualquer decisão que tomemos será sem uma segunda opinião, porque essa decisão pode ou não influenciar o nosso futuro. Mas isso significa também liberdade! Liberdade para crescer e para sentir que no fim, fomos capazes.

    Porque no fim, vamos olhar para traz e dizer que não deixámos o nosso país voltar a um regime não-democrático, vamos olhar para trás  e relembrar todas as viagens que fizemos e todas as decisões que tomámos sozinhos e sentir nos orgulhosos das nossas conquistas, aquelas que foram possiveis apenas porque tivemos a liberdade de escolher que caminho seguir. 

    E para concluir, posso apenas agradecer aqueles que lutaram pela liberdade. Porque, 50 anos depois quantos netos de soldados se esqueceram que os seu avós lutaram para podermos exprimir-nos sem medo. Quantas mulheres se dizem anti-feministas mas adoram vestir uma mini-saia ou decidir trabalhar por conta própria. Com isto escrito, percebe-se que não existe outra forma de acabar esta crónica, senão a agradecer porque lutou por mim, em meu nome e daqueles que não apreciam o sofrimento e medo daqueles que conseguiram o que hoje nos é tão banal e garantido,

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