Lembro-me que
quando era uma criança, ainda em muito tenra idade, todos os adultos me diziam
sempre: “Aproveita agora, enquanto és criança, que depois quando fores adulto,
vai ser difícil”. Mal sabia eu que todos estavam a falar a sério. Não que a
minha infância fosse fácil, entre todos os trabalhos da escola, regras e
horários impostos pelos adultos, que sempre tinham a expectativa que um dia iria
dar um bom adulto. Mas ninguém nos prepara para a pressão que é ser jovem em
Portugal.
A pressão,
começa mais cedo daquilo que imaginávamos. Ainda nem tinha aprendido a fazer
contas complexas, ou até mesmo a escrever textos, e já se ouvia vozes a falar
do “futuro”. Um futuro, que parece ainda estar tão longe, mas que por sua vez,
nos exige uma preparação constante. Começando pelos exames nacionais, que
decidem mais o nosso futuro que nós próprios, que nos colocam uma pressão de
perfeição para pudermos ter um futuro “minimamente” decente. Escolhemos uma
área de estudo, muitas vezes sem sequer saber se gostamos ou não, mas temos de
escolher dentro do tempo que o sistema acha o mais indicado, que por vezes,
esse tempo é tão curto que nem temos tempo para parar, refletir e perguntar:
“Será mesmo isto que eu quero?”.
Depois disso,
vem as responsabilidades e ainda mais pressão. Primeiro vem a faculdade, onde quase
somos obrigados a frequentar e a escolher algo que dê emprego, o que não foi
bem o meu caso. Por causa disso, andamos numa montanha-russa de emoções, onde
nela estão as obrigações, trabalhos da faculdade, estágios, empregos, sim
porque muitos de nós jovens, ainda tem de crescer um pouco mais rápido, arranjando
um emprego para completar os estudos, este aqui já é o meu caso, onde as vezes,
nem temos tempo de ser jovens, e viver as experiências que tantas esperanças
nos deram, ao alcançar esta idade. Terminamos a faculdade, com uma promessa de
uma vida social promissora, empregos de sonho, casa de sonho, ou seja, uma vida
de sonho.
A questão que
coloco agora, no meio destes pensamentos todos é: “Deixamos de ser jovens tão
cedo por opção, ou a sociedade assim nos exige este crescimento, e maturidade
toda?” Há sempre uma cobrança própria, interior, em que ficamos a pensar, que
devemos estar sempre prontos para todos os desafios, que ao acabarmos a escola,
qualquer seja o ano de escolaridade, temos logo de arranjar um trabalho, se
tivermos um emprego mais precário, foi porque não nos esforçamos o suficiente.
Ao nos queixarmos
destas coisas, a geração anterior, vem perto de nós e ainda nos dizem que “temos
tudo de mão beijada”, “no nosso tempo não era assim”. É verdade que temos a vida
um pouco mais simplificada, mais oportunidades, tanto de empregos como estudos,
mais recursos a tecnologias e ao mundo. Mas também temos umas maiores expectativas
a cumprir, pois, se não tivermos um curso superior, não vamos ser ninguém na
vida, se vivermos na casa dos mais aos vinte e cinco ou trinta anos, parece que
falhámos, se não tivermos um emprego, que os adultos considerem a sério, também
falhámos na vida. Somos cada vez mais “controlados”, com os adultos nos medindo
cada passo que damos, vendo se é o mais correto ou não, para eles atenção, pois,
por vezes, o que não parece correto para os outros, para nós é o mais acertado.
E posto isto, o
que nos sobra de sermos jovens? Haverá espaço para erros e indecisões? Haverá tempo
para nos focarmos em nós, e nos encontrar mos enquanto pessoas ou seres
humanos? Ou somos obrigados a acelerar o passo, ignorando o que nos faz mais feliz,
para corresponder ao relógio imposto pelos adultos, controlando assim o nosso tempo,
sendo obrigados, e passo a citar de novo, a andar no ritmo que querem, ou no
nosso próprio ritmo, sem termos tempo para saborear o nosso tempo enquanto
jovens?
Com a ansiedade
e pressão, que a nossa geração de jovens tem, por vezes esquecemo-nos de viver
o presente, e ver as coisas belas que a vida tem, sim porque fora das nossas
bolhas de ansiedade, pressão e expectativas, temos um mundo belo e maravilhoso
lá fora.
Então, em suma,
como os grandes escritores dizem, é justo perguntarmos nos se entre tantas
pressões e expectativas, nos deixam ser jovens. Porque, no fundo, não é as
responsabilidades que nos assustam, pelo menos a mim não, o meu medo é de
tentar crescer rápido demais, olhar para trás e ver que não aproveitei nada da
minha juventude, que não terei histórias incríveis para contar na velhice, e
ainda, o que mais me assusta, é que, quando me tornar adulto, fique igual aos
outros de agora, que tanta pressão e expectativas nos dão.
Porque, no
fim disto tudo, a pergunta que fica no ar é: “Se não conseguirmos ser jovens
agora, quando é que poderemos ser?”
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