A juventude é algo estranho. Pois dizem que é a melhor
fase da vida, mas ninguém consegue explicar bem o porquê. Os adultos suspiram
por ela, como se tivessem perdido um bilhete dourado para um parque de
diversões. Os mais velhos garantem que éramos felizes e não sabíamos. Mas será
que é mesmo assim?
Ser jovem hoje é um desafio. Há quem diga que nunca foi
tão fácil – tudo está à distância de um clique, da comida ao conhecimento. Mas,
se está tudo à mão, porque é que há tanta gente a sentir-se perdida? Os nossos
avós tinham um caminho que à partida é certo: escola, trabalho, casa, família.
Hoje, há mil caminhos e, com tantas opções, é difícil saber qual escolher. A
juventude também é sinónimo de pressa. Queremos tudo para ontem: sucesso, amor,
dinheiro, propósito. Mas, enquanto tentamos correr, o mundo lembra-nos que
ainda somos "muito novos para certas coisas". Exigem que saibamos o
que queremos da vida aos 18 anos, mas não nos deixam escolher um sofá no IKEA
sem um adulto por perto. Acaba por existir um certo paradoxo. Porém ainda há as
redes sociais, uma montra de vidas perfeitas onde toda a gente parece estar a
viver melhor do que nós. Ninguém posta as dúvidas, os medos ou os momentos mais
secantes que temos no nosso dia a dia. Só viagens incríveis, corpos esculpidos
e carreiras de sonho. Resultado? Uma geração que se compara constantemente e
que, muitas vezes, sente que nunca está à altura. Mas a juventude também tem o
seu brilho. É o tempo da descoberta, da irreverência, dos erros que ainda têm
desculpa. É quando nos atrevemos a sonhar alto, a mudar de rumo, a
reinventar-nos. Há uma energia única na juventude – um desejo de mudar o mundo,
de questionar o que sempre foi dado como certo.
Talvez os mais velhos tenham razão. Talvez só quando a
juventude nos escapar por entre os dedos é que perceberemos o quão especial ela
era. Mas, até lá, seguimos a viver, um passo de cada vez, entre certezas que
duram um instante e dúvidas que parecem eternas.
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