O amor é um sentimento que todos os seres humanos sentem. Existem pessoas que dizem que nunca amaram ninguém, mas isso é porque existe muita gente que, quando pensa no amor, pensa no amor, só pensa no amor de namorar. Mas essa não é a única forma de amar alguém.
No meu caso, só posso falar dos tipos de amor que já senti ou sinto. Começando pelo amor de amigo, existe muita gente que tem dezenas de amigos e depois não ama nem cinco desses todos. Eu não sou esse tipo de pessoa. Os meus amigos dão para se contar pelos dedos das mãos e posso-vos garantir uma coisa: que os amo. Por tudo o que já vivemos e já passámos juntos, para não falar das suas personalidades que, se começo, nunca mais saio daqui. Daquelas conversas nas garagens uns dos outros que acabam sempre, ninguém sabe bem como, a insultarmo-nos todos uns aos outros. Mas está sempre tudo bem, porque quando isso acontece sabemos que vamos receber uma resposta igual ou pior e que vamos acabar às gargalhadas. É por estes motivos e muitos mais que eu amo os meus amigos.
Passando agora ao outro tipo de amor que sinto: o amor mais básico. E, quando digo básico, não quer dizer que seja fácil, aliás, este provavelmente até é o mais complicado de todos. Quando eu digo que é básico, digo-o porque é o primeiro tipo de amor que nos é ensinado quando ainda estamos na creche: é o amor de paixão. O amor mais complicado que existe e que, se forem descobertos novos tipos de amor, este vai continuar a ser o mais complicado. "Porquê?", perguntam-se vocês. Pois também não sei, só vos posso dizer que é das coisas mais lindas que nos podem acontecer na vida. Uma pessoa acordar e saber que tem uma mensagem de bom dia da namorada, saber que, se o dia não lhe corre bem, tem um ombro onde se pode encostar. Mas o que melhor sabe é, ao fim da escola, encontrarmo-nos com a nossa cara-metade e simplesmente não fazer nada. Ficarmos os dois só na ronha, deitados, um agarradinho ao outro. Isso sim é a melhor coisa que há: sabermos que temos alguém com quem, apesar de não estarmos a fazer nada, parece que o tempo voa.
Muita gente diz que o amor é um fogo que arde sem se ver. Mas eu não concordo. Chamar “fogo” a algo que nos enche de borboletas no estômago parece-me injusto. O fogo consome, destrói, reduz tudo a cinzas. O amor, para mim, não é um incêndio que devora; é uma faísca. E porquê uma faísca, perguntam-se vocês? Porque a faísca é algo inesperado, aparece quando menos esperamos, num olhar, num toque ou num sorriso que ilumina um dia cinzento. É um momento fugaz, mas poderoso, capaz de acender algo maior.
Ao contrário do fogo, que pode magoar e queimar, a faísca é magia – é um acontecimento que nos surpreende e nos faz ver a beleza do inesperado. É verdade que o amor pode ser quente ou até escaldante. Mas a sua essência não está na destruição, e sim na criação. Tal como uma faísca pode dar início a uma luz que ilumina o escuro, o amor surge como um clarão no meio da rotina que transforma tudo à sua volta.
É por isso que prefiro pensar no amor não como um fogo que consome, mas como uma faísca que desperta. Porque o amor não é sobre arder até ao fim – é sobre acender algo que vale a pena manter aceso.
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