Há palavras que carregam em si o peso da história, o eco de vozes que lutaram, sofreram, e por vezes, morreram. Liberdade é uma dessas palavras. Portugal conhece bem o sabor da liberdade conquistada. Há 50 anos, em Abril de 1974, cravos vermelhos floresceram nas espingardas e os tanques desfilaram pelas ruas de Lisboa, não para oprimir, mas para libertar. A ditadura caiu sem disparar uma bala, mas com milhões de corações a bater pelo mesmo ideal: falar sem medo, escolher sem imposição, viver com dignidade. No entanto, hoje, noutros cantos do mundo, essa liberdade continua a ser um luxo.
Olhamos para o Irão, onde mulheres arriscam tudo por um cabelo ao vento. Vemos a Rússia, onde uma simples opinião pode valer anos de prisão. Ou a China, onde a liberdade digital é vigiada por algoritmos mais atentos que qualquer polícia secreta do passado.
E em Portugal? Somos livres, sim, mas nem sempre conscientes do valor dessa liberdade. Queixamo-nos com razão da corrupção, da desigualdade, da falta de oportunidades. Mas esquecemo-nos, às vezes, de como seria viver num país onde criticar o governo significasse desaparecer durante a noite. Esquecemo-nos de que há menos de uma vida atrás, uma simples canção podia ser censurada.
A liberdade é frágil. Cresce em solo fértil, mas morre com facilidade onde reina a indiferença. É por isso que devemos educar, discutir, votar. Porque o maior inimigo da liberdade, é o esquecimento.
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