“Esplanar”.
A palavra não existe, mas tão usada e a atividade praticada, qualquer dia passa a oficial – como desporto nacional e partícula de dicionário. Por isso para
poder dizer qualquer coisa sem, à partida, me por a jeito, é preciso
contextualizar… no espírito. Adiante. Lá estava eu, a fazer algo de que não sou
particular adepto, e, por isso, descrevo como os grandes adeptos. Fumando a vaporeta
de um dos vizinhos do lado, um grupo heterogéneo, malta de várias idades, que
no pensar estavam uns para os outros. Nós também, pelo menos no desporto de ocasião: “esplanávamos”.
Lusco-fusco, mais que 5/7 minutos, uns refrescos, e mais outros refrescos,
destrava línguas, pensamentos.
Claro que, da minha mesa
à tua vai a mesma distância e, nem sempre os desportos coincidem. Guardam-se as
fontes, mas ficam os conteúdos. “Vais votar”; “Não sei, mas se for voto no X
que limpa isto tudo”. O excerto não é
rigoroso, mas se alguém estiver a ler isto compreende que o gasoso dos
refrescos faz mal à memória de curto prazo. Moral da história, e dado que, isto
é um facto, aconteceu fora do círculo eleitoral de qualquer dos líderes partidários
candidatos às últimas legislativas: ninguém, naquela conversa, estava com a
noção do que se iria votar, para que se iria votar, mas havia uma certezinha
absoluta da marca e numa pessoa.
Há a total emancipação
democrática para fazer escolhas, poder expressá-las e votar. Talvez não se
esteja a explanar muito bem, ao grosso da população e, principalmente, aos
novos votantes a arquitetura institucional do país e as conquistas dos últimos
50 anos. Também é verdade que, defendendo a liberdade, defendemos todos, numa
esplanada ou a partir dela ainda que conscientemente num quadro de preocupante retrocesso
e eventual perda de direitos liberdades e garantias, porventura cavado pelo punho
daqueles que os dão como adquiridos.
Sem comentários:
Enviar um comentário