domingo, 25 de maio de 2025

Ao sol da liberdade

 

Esplanar”. A palavra não existe, mas tão usada e a atividade praticada, qualquer dia passa a oficial – como desporto nacional e partícula de dicionário. Por isso para poder dizer qualquer coisa sem, à partida, me por a jeito, é preciso contextualizar… no espírito. Adiante. Lá estava eu, a fazer algo de que não sou particular adepto, e, por isso, descrevo como os grandes adeptos. Fumando a vaporeta de um dos vizinhos do lado, um grupo heterogéneo, malta de várias idades, que no pensar estavam uns para os outros. Nós também, pelo menos no desporto de ocasião: “esplanávamos”. Lusco-fusco, mais que 5/7 minutos, uns refrescos, e mais outros refrescos, destrava línguas, pensamentos.

Claro que, da minha mesa à tua vai a mesma distância e, nem sempre os desportos coincidem. Guardam-se as fontes, mas ficam os conteúdos. “Vais votar”; “Não sei, mas se for voto no X que limpa isto tudo”.  O excerto não é rigoroso, mas se alguém estiver a ler isto compreende que o gasoso dos refrescos faz mal à memória de curto prazo. Moral da história, e dado que, isto é um facto, aconteceu fora do círculo eleitoral de qualquer dos líderes partidários candidatos às últimas legislativas: ninguém, naquela conversa, estava com a noção do que se iria votar, para que se iria votar, mas havia uma certezinha absoluta da marca e numa pessoa.

Há a total emancipação democrática para fazer escolhas, poder expressá-las e votar. Talvez não se esteja a explanar muito bem, ao grosso da população e, principalmente, aos novos votantes a arquitetura institucional do país e as conquistas dos últimos 50 anos. Também é verdade que, defendendo a liberdade, defendemos todos, numa esplanada ou a partir dela ainda que conscientemente num quadro de preocupante retrocesso e eventual perda de direitos liberdades e garantias, porventura cavado pelo punho daqueles que os dão como adquiridos.

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