quarta-feira, 21 de abril de 2021

O nosso porto alegre

O plano de desconfinamento continua, seja criticado ou não, já sentíamos saudades de alguma liberdade, mas compreendemos que algum descuido pode ser fatal para que a situação volte a descontrolar-se e voltarmos para um novo confinamento.

Eu e todos os estudantes estamos de volta à nossa segunda casa, à cidade que nos acolheu. Escolhemos o Alto Alentejo para estudar e conhecemos gente fenomenal, numa cidade que cujo nome significa “lugar alegre”. Muitos de nós nunca pensamos viver os tão aclamados melhores anos da nossa vida nesta zona do país e em alguns casos sempre esteve presente aquele nervosinho miudinho para trocar ou mesmo desistir. Muitos pensavam que estavam no Portugal mais profundo, onde não existia nada e ninguém, mas no meu próprio caso era totalmente o inverso. Vir para Portalegre era algo que embora nunca pensara, muito gratificante fiquei, pois ia fazer o que sempre tinha ambicionado e conhecer uma cidade nova. No fundo ia sair da minha zona de conforto e a aventura de viver sozinho e deixar aqueles com que todos os dias convivia. A mim custou-me pois estava habituado ao movimento de uma aldeia e a cidade não era para mim – era o que pensava até ao dia que escrevo esta crónica.

Passados estes últimos 3 meses de quarentena, regressei ansioso e com a lágrima no canto do olho, pois ia deixar a minha família, mas ia voltar a ver a minha outra família que Portalegre me deu. Deixar o “cantinho” para alguém que está habituado a tal é um pouco complicado. Mas o que me faz ter força e matar as saudades é pensar que estou a fazer o que gosto e algo que os meus pais apoiam e eles também fazem disso a força para conter as saudades dos quase 200Km´s de distância.

Nunca pensei habituar-me ao ambiente citadino rapidamente, sentir-me bem num dado lugar mesmo distante de casa. Com isto quero dizer que estou bem nos dois locais e muito bem recebido. Todos os que passam por cá dizem que Portalegre é a “cidade que ninguém quer, mas que ninguém esquece” e não podia ser melhor frase para descrever este lugar, pois ao início podemos não achar muita graça à cidade, mas com o passar do tempo e devido às aventuras que passamos por cá, por mais engraçada, estupida ou romântica, nunca vamos esquecer.

Sabemos que estamos ainda no meio de uma pandemia e não temos a certeza de quando podemos voltar à dita normalidade. Ela vai chegar, com calma e o seu tempo, mas uma coisa não podemos esquecer de fazer, aproveitar este tempo sempre com os cuidados impostos, pois pode-se ter grandes e fantásticas aventuras mesmo com esta situação mundial.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...