O plano de desconfinamento continua, seja criticado ou não, já sentíamos saudades de alguma liberdade, mas compreendemos que algum descuido pode ser fatal para que a situação volte a descontrolar-se e voltarmos para um novo confinamento.
Eu e todos os estudantes estamos de volta à nossa
segunda casa, à cidade que nos acolheu. Escolhemos o Alto Alentejo para estudar
e conhecemos gente fenomenal, numa cidade que cujo nome significa “lugar
alegre”. Muitos de nós nunca pensamos viver os tão aclamados melhores anos da nossa
vida nesta zona do país e em alguns casos sempre esteve presente aquele
nervosinho miudinho para trocar ou mesmo desistir. Muitos pensavam que estavam
no Portugal mais profundo, onde não existia nada e ninguém, mas no meu próprio
caso era totalmente o inverso. Vir para Portalegre era algo que embora nunca
pensara, muito gratificante fiquei, pois ia fazer o que sempre tinha
ambicionado e conhecer uma cidade nova. No fundo ia sair da minha zona de
conforto e a aventura de viver sozinho e deixar aqueles com que todos os dias
convivia. A mim custou-me pois estava habituado ao movimento de uma aldeia e a
cidade não era para mim – era o que pensava até ao dia que escrevo esta
crónica.
Passados estes últimos 3 meses de quarentena,
regressei ansioso e com a lágrima no canto do olho, pois ia deixar a minha
família, mas ia voltar a ver a minha outra família que Portalegre me deu.
Deixar o “cantinho” para alguém que está habituado a tal é um pouco complicado.
Mas o que me faz ter força e matar as saudades é pensar que estou a fazer o que
gosto e algo que os meus pais apoiam e eles também fazem disso a força para
conter as saudades dos quase 200Km´s de distância.
Nunca pensei habituar-me ao ambiente citadino
rapidamente, sentir-me bem num dado lugar mesmo distante de casa. Com isto
quero dizer que estou bem nos dois locais e muito bem recebido. Todos os que
passam por cá dizem que Portalegre é a “cidade que ninguém quer, mas que
ninguém esquece” e não podia ser melhor frase para descrever este lugar, pois
ao início podemos não achar muita graça à cidade, mas com o passar do tempo e
devido às aventuras que passamos por cá, por mais engraçada, estupida ou
romântica, nunca vamos esquecer.
Sabemos que estamos ainda no meio de uma pandemia e
não temos a certeza de quando podemos voltar à dita normalidade. Ela vai
chegar, com calma e o seu tempo, mas uma coisa não podemos esquecer de fazer,
aproveitar este tempo sempre com os cuidados impostos, pois pode-se ter grandes
e fantásticas aventuras mesmo com esta situação mundial.

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