O aspeto que mais me fascina na escrita é o facto de poder escrever sobre o que me apetece, sem limites. É o meu modo de expressão, de descompressão e o meu pensamento a serem projetados para o ecrã nas melhores palavras que encontrei. Apenas eu, sintonizado, fazendo deslizar os meus dedos entre as teclas enquanto as ideias e as memórias fluem no meu cérebro.
Apesar de ser um jovem da “Geração Z” e de, à
primeira vista, parecer um puto despreocupado com a vida, sinto que o mundo, eu
inclusive e todos os que me rodeiam estamos em constante mudança, com momentos
mais ou menos harmonizados do que outros. Criamos ligações com certos sítios e
pessoas, e isso faz de nós genuinamente felizes e completos pela simplicidade
destes momentos.
Tudo na nossa vida depende de tempo, e o
futuro, sendo uma linha de tempo, é inevitavelmente incerto; mas, para mim,
algo que tenho a certeza que é certo é definitivamente o passado. Sei o que
vivi e não é difícil lembrar-me dessas mesmas coisas, pois tenho até bastante
facilidade em fazê-lo.
É tão vivido na minha memória o dia de ontem
como o de há dez anos atrás. Ontem, senti a minha pele a escaldar enquanto apanhava
sol entre as rochas da Praia do Pinhão; há dez anos atrás, apanhava um sol
também descontraído, mas mais leve e outrora em família, numa praia não muito
longínqua. O Mojito fresco que bebi na sexta-feira à noite num bar acolhedor também
ainda me parece muito próximo, mas não tão próximo quanto o refrigerante gelado
que bebia há uns anos na casa da minha avó, em família.
Chegar a casa da minha avó há não muitos anos
era sinónimo de sentir o seu cheiro tão característico, que é o que mais tenho
saudades neste mundo, e de sentir o abraço do meu avô que nunca cheguei a conhecer,
mas que me conhece melhor que ninguém.
Agora, entro na casa onde durante anos fui feliz e sinto que não me pertence. Não sinto a mesma felicidade, calma ou conforto ao entrar naquela porta porque não os sinto comigo naquele sítio que era um porto de abrigo.
Mas, agora, passei a senti-los comigo em pequenos momentos do meu dia-a-dia e em vários sítios por onde passo. A nostalgia e a certeza de que outrora fui feliz nesta casa permanece comigo, para sempre, não importa os mil e um sítios por que passei ou que possa inclusive vir a passar. Creio que apenas existam alturas das nossas vidas em que tenhamos que abdicar de certas coisas das quais não nos vimos sem, de maneira que possamos crescer e seguir em frente.
Lindo. Cheio de sentimentos ����
ResponderEliminarSimplesmente maravilhoso ❤ és um miudo extraordinário
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