terça-feira, 15 de junho de 2021

Casa Não Passa de Um Sentimento

     O aspeto que mais me fascina na escrita é o facto de poder escrever sobre o que me apetece, sem limites. É o meu modo de expressão, de descompressão e o meu pensamento a serem projetados para o ecrã nas melhores palavras que encontrei. Apenas eu, sintonizado, fazendo deslizar os meus dedos entre as teclas enquanto as ideias e as memórias fluem no meu cérebro.

Apesar de ser um jovem da “Geração Z” e de, à primeira vista, parecer um puto despreocupado com a vida, sinto que o mundo, eu inclusive e todos os que me rodeiam estamos em constante mudança, com momentos mais ou menos harmonizados do que outros. Criamos ligações com certos sítios e pessoas, e isso faz de nós genuinamente felizes e completos pela simplicidade destes momentos.

Tudo na nossa vida depende de tempo, e o futuro, sendo uma linha de tempo, é inevitavelmente incerto; mas, para mim, algo que tenho a certeza que é certo é definitivamente o passado. Sei o que vivi e não é difícil lembrar-me dessas mesmas coisas, pois tenho até bastante facilidade em fazê-lo.

É tão vivido na minha memória o dia de ontem como o de há dez anos atrás. Ontem, senti a minha pele a escaldar enquanto apanhava sol entre as rochas da Praia do Pinhão; há dez anos atrás, apanhava um sol também descontraído, mas mais leve e outrora em família, numa praia não muito longínqua. O Mojito fresco que bebi na sexta-feira à noite num bar acolhedor também ainda me parece muito próximo, mas não tão próximo quanto o refrigerante gelado que bebia há uns anos na casa da minha avó, em família.

Chegar a casa da minha avó há não muitos anos era sinónimo de sentir o seu cheiro tão característico, que é o que mais tenho saudades neste mundo, e de sentir o abraço do meu avô que nunca cheguei a conhecer, mas que me conhece melhor que ninguém.

Agora, entro na casa onde durante anos fui feliz e sinto que não me pertence. Não sinto a mesma felicidade, calma ou conforto ao entrar naquela porta porque não os sinto comigo naquele sítio que era um porto de abrigo. 

Mas, agora, passei a senti-los comigo em pequenos momentos do meu dia-a-dia e em vários sítios por onde passo. A nostalgia e a certeza de que outrora fui feliz nesta casa permanece comigo, para sempre, não importa os mil e um sítios por que passei ou que possa inclusive vir a passar. Creio que apenas existam alturas das nossas vidas em que tenhamos que abdicar de certas coisas das quais não nos vimos sem, de maneira que possamos crescer e seguir em frente.

2 comentários:

Vemos e seguimos

A guerra cabe num ecrã de telemóvel, num vídeo de poucos segundos que vemos e esquecemos. Deslizamos para o lado e seguimos com o dia, como ...