Se eu vos disser que o meu maior trauma, foi na passagem de ano de 2019, numas escadas rolantes, acreditam? Vou-vos contar!
Levantei-me radiante, porque pela primeira vez, ia passar o ano
ao som da melhor banda (para mim, obviamente), os Amor Electro, em Albufeira! Preparei
as malas, porque íamos passar lá a noite, almocei e já estava numa ansiedade
enorme, como fico sempre quando é dia de concerto. O meu pai estava a trabalhar
e saía às 16h, mas atrasaram-se e só chegou a casa às 18h. Eu já estava numa
pilha de nervos, porque quero estar sempre na primeira fila e já tinha visto no
Instagram muita gente perto do palco.
Começamos a viagem, do Barreiro para Albufeira. Fui as 2h sempre
a cantar e a tentar não pensar no tempo da viagem porque sempre que me lembrava
começava a stressar e amigos meus, fãs dos Amor Electro que já lá estavam,
mandavam-me mensagem a perguntar onde é que eu andava. Pior ficava! Entretanto
pedi para me guardarem lugar e fiquei mais calma.
Finalmente tínhamos chegado, mais ou menos por volta das 21h,
e ainda fomos ao alojamento onde íamos ficar a fazer o check in, onde também houve
um problema porque a minha irmã não tinha trazido o cartão de cidadão, mas
ligámos para a minha mãe e resolveu-se. Mais uns 20 minutos perdidos, mas rapidamente
nos metemos no local do concerto.
Já devem estar a pensar que não fui ao concerto por cauda de
umas escadas rolantes, mas fui, e foi maravilhoso e um concerto inesquecível.
Pelos dois lados, o bom e o mau. O bom foi o concerto, o mau é o que vos vou contar
a seguir!
O concerto acabou, estive ainda a conviver com a malta e a
falar sobre o espetáculo e sobre a nossa vida também, e depois por volta quase
da 1h da manhã, creio eu, fui-me embora porque o meu pai já estava à minha
espera. Em Albufeira estavam milhares de pessoas e para quem sabe, há umas
escadas rolantes com acesso à praia. Estava eu e a minha irmã na multidão,
quando vemos as escadas rolantes e pensámos ser o caminho mais rápido, até
porque não sabia de outro caminho… já estamos a subir as escadas rolantes,
quando se dá a queda.
Foi terrível, começo por ver as pessoas que estão à minha frente
a rebolar e, entretanto, já estou eu também a fazer uma força descomunal para não
ir por ali abaixo. Lembro-me de ter ficado em cima da perna de um senhor que
estava à minha frente e de lhe ter tirado o sapato. A minha irmã estava atrás
de mim e foi ela que impediu que eu fosse a rebolar mais porque, para além de
estar a fazer força por ela, estava a empurrar-me para cima. Só se ouviam
gritos, ambulâncias e policias. Poucos minutos depois, desligaram as escadas
rolantes e começámos a subir como umas escadas normais. Ainda fiquei com os
dedos tortos durante alguns minutos da força que fiz no corrimão!
Estava a tremer por todo o lado, cheguei perto do meu pai,
que não se apercebeu de nada, então contei-lhe, mas não se manifestou muito. Só
se riu! Agora também me riu, mas na
altura…valha-me deus. Entretanto fomos para casa e adivinhem o que eu fiz!? Fui
beber para esquecer. Bebi tanto, comi pouco mas estava cheia de fome porque fui
direta para o concerto sem jantar, e então a bebida bateu mais. Ainda por cima
estava com o meu pai, olhem só a vergonha. Juro que não sei o que me deu. No
dia seguinte, uma ressaca descomunal, ainda por cima tínhamos de sair até ao
12h do alojamento e tinha a viagem de regresso, que foi a mais longa da minha
vida, e ia para casa da minha mãe com a família toda da parte dela para o almoço
do primeiro dia do ano. De ressaca!

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