O Alentejo, onde nasci e cresci está no meu coração. Apesar de adolescer livre das regras impostas pela agitação da cidade, este local nunca foi uma preferência (até então) para residir e construir o meu futuro, talvez por continuar a existir uma descumunal falta de oportunidades, mas também por ser jovem e acreditar na potencialidade de desenvolvimento que tem a minha vila, e as que a rodeiam, e por ficar dececionada com o desinvestimento que perdura por parte dos sucessivos governos, e com o desinteresse em melhorar e desenvolver a zona, quer através do aumento de transportes públicos, postos de trabalho ou até do investimento em projetos inovadores que possam existir.
Nada disto parece
ser uma prioridade e estamos em constante retrocesso, até porque há dias li no
jornal Público, uma notícia onde era referido que a IP – Infraestruturas de Portugal, SA, pretende demolir as
Estações de Alcáçovas e Alvito, “no âmbito da Modernização do Troço da Linha do
Alentejo entre Casa Branca e Beja. A IP justifica a intenção, tendo em conta o adiantado
estado de degradação e as condições de habitabilidade, entre outros aspetos,
pretendendo que estas sejam substituídas por um abrigo em cimento.”, resumindo isto
para bom entendedor, não só vão demolir as estações que datam o século XIX,
como vão destruir histórias e impedir que futuras gerações conheçam os seus
antepassados e o seu património. Tudo isto porque ninguém quer ser responsável pela
recuperação das estações, sendo que se torna mais fácil destruí-las.
Pensemos em como os nossos avós,
bisavós e gerações mais antigas se sentem ao saber que vai ser destruído um lugar
por onde já passaram centenas de vezes, um lugar de onde muitos podem ter
partido inundados de lágrimas com a esperança de alcançar uma vida melhor, fora
do interior do país.
Vamos fazer mais pelo Alentejo.

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