sábado, 26 de março de 2022

Dependência emocional


Durante os meus 28 anos de vida raramente alguém me chegou ao coração , raramente senti amizade por alguém,e raramente senti necessidade de conectar-me com qualquer ser humano existente no mundo.

O motivo da minha frieza tinha a ver com medo de ser rejeitado, com o medo que uma amizade genuína me torna-se de alguma forma vulnerável ao ponto de perder a minha força vital baseada na raiva.


A minha frieza e pragmatismo levou a que percorresse um longo caminho de constante evolução, consegui sair de uma cadeira de rodas contra todas as expectativas e opiniões de médicos, consegui ter uma vida independente contra todas as palavras de desalento que me dirigiam, arranjei um trabalho contrariando o estigma social que a sociedade têm em relação às pessoas com deficiência.

E finalmente entrei na universidade! tudo parecia correr de feição, até conhecer alguém que me conseguiu chegar ao coração,gerou -se uma dependência emocional ao longo do tempo, e não é amor! É algo diferente! .


No entanto! Esta ligação emocional é algo que não pode continuar a existir,em primeiro lugar porque a pessoa despreza tudo aquilo que significo, em segundo lugar já não sei quem é realmente esse ser humano, em terceiro lugar esta conexão emocional está -me a colocar numa posição de vulnerabilidade e isso enfraquece o meu espírito.


Mas não a consigo ignorar! Não consigo fechar os olhos e fingir que a conexão não existe, e isso,leva -me a entrar numa encruzilhada mental, por um lado tenho a sensação de que estou a lidar com alguém perigoso, capaz de tudo para ser o centro das atenções e isso preocupa-me , por outro lado, necessito dela para conseguir ter a força mental para continuar a percorrer este longo trajeto.

No fundo! Falta -me a coragem para tomar uma decisão definitiva! Afasto -me ou tento que as coisas voltem a ser como antes.



José Martins 


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