quinta-feira, 31 de março de 2022

Os vinte-e-um

            Afinal, a frase de que “A partir dos 18 anos passa a correr” não é uma total mentira. O quão assustador é crescer nos tempos atuais, começar a fase de uma vida adulta que neste momento está de certa forma dificultada.

Como é suposto sentir-me assim que acabar uma licenciatura e entrar para aquele que é chamado de “um mundo real”, com responsabilidades elevadas nas quais irão ditar o nosso futuro.

Uma elevada percentagem dos jovens de hoje em dia pretende sempre sair de casa dos pais, mas como é possível sobreviver em Portugal com tamanha responsabilidade? Onde um salário mínimo não acompanha o aumento exorbitante de preços, onde estamos numa altura em que se falhares nas tuas obrigações acabas por ficar marcado, onde se não souberes ser independente e não contares com a tua única ajuda não te sucedes.

            A realidade é que a ideia de sair do teto dos pais é um objetivo, mas que neste momento estará longe de ser concretizado. Irónico pensar que a minha mãe com 23 já estava fora do seu ninho e já se encontrava a desenvolver família, e eu com 21 encontro-me a meio da licenciatura e sem qualquer tipo de estabilidade e principalmente sem qualquer ideia do que farei num futuro próximo.

Crescer não devia ser tão assustador, era suposto estar feliz com a ideia de uma independência fulcral, mas, no entanto, sinto-me completamente assustada com a incerteza de um futuro instável.

 

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