quarta-feira, 8 de junho de 2022

A privação em excesso modifica-nos

Sempre tive a liberdade que um jovem ambiciona ter, poder sair a noite com amigos, dormir fora, tudo aquilo que depois temos acesso fácil quando chegamos á universidade porque nos encontramos livres e soltos.

Relembro-me de ouvir sempre a minha mãe dizer-me a mim e a minha irmã “eu dou-vos a liberdade que a minha mãe a mim não me deu”, assim como ouvia das minhas amigas, “a tua mãe é tão liberal”.

Contudo esta é a minha realidade mas não é a de muitos, não foi a de muitas amigas, que eu via mentirem constantemente aos pais porque se dissessem a verdade não podiam sair, não podiam fazer nada, relembro-me que para mim na altura isto me fazia uma enorme confusão e dizia-lhes “mas se fores sincero ela deixa, só tens que demonstrar-lhe responsabilidade para que ela confie em ti” porque esta era a minha realidade, era assim que eu era criada, mas não era assim que os meus amigos eram criados. 

Mas até que ponto os proibir de tudo é bom? Já pensaram que ao proibirem e privarem os filhos de certas coisas, só lhes dão mais motivos e lhes abrem mais espaço para que procurem alternativas para as fazer, nem que isso implique mentir sobre onde estão ou com quem estão e o que estão a fazer, mas e as consequências que isto pode trazer? lembro-me na minha altura de quando combinávamos sair, nem que fosse assim só depois do jantar havia amigas que tinham que mentir onde estavam ou com quem estavam , porque os pais não as queriam ali e não gostavam de x pessoa, e isso deixava-me a pensar “ e se acontece alguma coisa, os pais não sabem a verdade pensam que estão num sitio estão noutro” e era nestas alturas que eu ligava para a minha mãe e lhe dizia onde estava o que estava a fazer e com quem estava, e que estaria em casa logo, porque eu sabia que tinha está possibilidade e os meus amigos  não.

Por isso pais atuais e futuros pais, quando privarem o vosso filho de alguma coisa ou só sentirem medo de que ele sai, deem-lhe um voto de confiança, ponham-no a prova, digam-lhes que podem sim sair mas que tem que estar em casa a x horas e nem mais um minuto, se ele realmente quiser fazer as coisas tranquilamente sem ter que mentir vai saber respeitar, porque deve existir liberdade, mas sempre com cabeça pés e medida. 

Andreia Rodrigues.

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