Como tudo seria mais fácil se voltasse á minha infância, onde o meu maior problema era um joelho esfolado, ou quando era hora de ir para casa e deixar de brincar. Não tinha responsabilidades, era tudo uma grande brincadeira onde nos divertíamos imenso.
As melhores lembranças que fiz foram na infância, onde o tempo corria e era só diversão. Toda esta ideia martela na minha cabeça o tempo todo, faz me lembrar de que fui muito feliz no passado. Onde não havia maldade. Posso dizer que, sem dúvida a minha infância é muito diferente das que vejo hoje em dia. Naquela altura não havia ganância e competição. Aparelhos eletrónicos? Nem sabíamos bem o que eram. Brincávamos com o que tínhamos e o que não possuíamos, inventámos.
Tenho
saudades desse período!
Quando somos crianças
tudo é motivo de comemoração e histórias para contar aos amigos, cada livro
proporciona-nos uma nova viagem e os contos de fadas parecem reais.
Apesar da minha infância
não ter sido dotada a riquezas, sempre tive tudo por parte dos meus pais, pois,
mimaram-me muito, mesmo sendo eles brasileiros a começar uma vida nova em
Portugal. No natal eu não tinha família para passar as festividades, ou que
conseguissem enviar prendas pelo natal, por exemplo, por isso a minha mãe
comprava-me várias prendas em nome dos meus familiares, fazendo me lembrar que
eu tinha uma família apesar da mesa não estar cheia e sermos só três.
Sinto falta! Lembro-me de
quando conheci a minha melhor amiga e hoje em dia já faz 17 anos que a conheço.
Ela era uma criança muito extrovertida e eu sempre fui mais metida comigo
mesma, ou seja, já dá para deduzir quem começou a falar com quem e a chamar
para brincar. Tornamo-nos inseparáveis. Riu-me sempre que me lembro das vezes
em que pedíamos as mães uma da outra para dormimos em uma das casas, de
dizermos “pede tu, porque se for eu pedir ela não vai deixar”, bons tempos!
Lembro-me da minha
primeira paixoneta, eramos da mesma turma, brincávamos juntos nos intervalos,
apesar de eu ter muita vergonha, imagino que se falasse muito sairíamos casados
de lá e aposto que os meus pais não iam gostar muito. Ele era um rapaz de pele
clara, cabelos pretos e olhos castanhos, sempre foi muito gentil comigo,
convidava-me para jogar a bola e andar de escorrega, até conseguia imaginar um
futuro, mas claro que naquelas idades imaginamos muitas coisas que nunca se
realizaram, o tempo passou e fomos para escolas diferentes, mas a vida era
mesmo assim.
Ah! Uma coisa muito
importante que eu adorava na escola, todas as sexta-feira, levávamos os nossos
brinquedos para a escola, onde dividíamos e brincávamos uns com os outros. Algo
muito importante que a escola fez nessa altura não foi só ensinar os conteúdos
das matérias, mas também a partilhar. Nessa altura acordar cedo não era tão mau
como é hoje.
Apesar de ter tentado lutar contra
o tempo para não crescer…secalhar nem tanto assim, porque quando somos pequenos
queremos ser grandes e quando o somos, queremos voltar a ser pequenos, irónico,
não é? O tempo é algo que não pára e cada segundo, minuto, hora é algo que não
volta mais.
Hoje, olho para cima do meu
armário, onde ainda tenho alguns peluches de quando era bem pequena, observo
como já estão velhos, que a poeira já toma conta das minhas lembranças e a
saudade apodera-se de mim em segundos. Pois bem, já estou velha, mas nunca me
esquecerei dos melhores momentos que vivi na minha infância, de melhores amigos
a inimigos, de brincadeiras a travessuras, do medo à adrenalina, do receio à
certeza.
São lembranças que infelizmente
nunca irão voltar, contudo não irão morrer na minha memória e coração!
Daniela Medeiros
Sem comentários:
Enviar um comentário