Desde que me conheço que tenho um medo enorme de falecer. Sei que parece parvo pois é assim a lei da vida, mas o que é certo é que pensar muito nisso deixa-me extremamente triste.
Ao longo do tempo, devido a acontecimentos que vivi (alguns mais diretamente, outros nem tanto), tenho dado cada vez mais valor à vida em geral. Não sabemos o dia de amanhã, nem sei se partirei mais cedo que as pessoas à minha volta, mas sei que fico de coração partido ao pensar muito nisso.
Ainda tenho a minha família mais chegada e sinto-me uma sortuda, mas desde que saí de casa para vir estudar para Portalegre que lhes dou ainda mais valor.
Quando decido ir passar o fim de semana a casa o tempo é curto, mas mesmo assim quero aproveita-lo ao máximo com eles. Não posso dizer que passo o fim de semana todo em casa, visto que também vou sair com os meus amigos, mas se há algum fim de semana em que passo menos tempo com a minha família, chega sempre uma altura em que fico mais triste porque sinto que não estive tanto tempo como devia...
E por falar em família, os meus amigos fazem parte dela e sinto-me cada vez melhor com as amizades que tenho.
Desde que acabei o secundário que algumas coisas mudaram. Alguns estão a trabalhar, outros na universidade e todos nós em cidades diferentes, mas sempre que nos juntamos, sinto-me ainda mais feliz. Estar na companhia deles faz-me bem e neste momento que tenho aulas, tento sempre estar com eles nem que seja meia hora quando vou a casa. Acho que esta necessidade de me encontrar com eles nem que seja pouco tempo está ligada à incerteza do dia de amanhã, especialmente agora que estamos longe.
Tenho aprendido que não podemos deixar nada por dizer e fazer e tenho tentado demonstrar cada vez mais os meus sentimentos pelas pessoas e realizar tudo o que pretendo fazer nesta vida. Dar valor às pequenas coisas é algo tão importante e a partir do momento em que começamos a dar, tudo se torna mais bonito.
A morte não escolhe idades, mas nós podemos escolher o valor que damos às pessoas e aos momentos que passamos com elas.
Ana Margarida Perna
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