quarta-feira, 2 de abril de 2025

Borboletas e limões

O amor é a maior perfeição na imperfeição, doce como o fel. Talvez, como a democracia, o menos mau entre os sistemas testados, em constante maturação. Se é bom que aconteça, sem fronteiras, mas sempre com limites. N'"O Amor é Fodido", em 1995, Miguel Esteves Cardoso, de maneira acutilante e brilhante enredou um amor doente e extremista. O pior no melhor, problema que estava, e está, identificado, que colocamos de parte por ser o lado mau da força. 

Vamos ao que interessa.  Falemos da beleza de um sorriso, da sensualidade da palavra, do erotismo na ação. A naturalidade da satisfação na entrega quando se gosta a sério. Há lá maior efeito borboleta do que quando parece que a engolimos, bem espevitada, e a bicha fica a tomar-nos conta estômago sem perder gás a sugar toda e qualquer coordenação naqueles momentos de encontro em que pretendemos dar tudo. 

É um facto que no início o amor parece que tem asas felpudas, depois azeda e faz mal à pele, mas, no fim, bate tudo certo. E porquê? Basicamente porque à medida que as pessoas se conhecem parece que se vão cortando limões e mergulhando de boca naquela fruta amarelinha. À medida que se chupa sem açúcar ficam cada esgar é uma ruga. 
O caminho é tudo escola e é porreiro, faz parte. Lado a lado, muito melhor. 
O amor, como a democracia, amadurece. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

O Amor na Era do "Visto por Último"

       Namorar já teve as suas regras bem definidas. Houve um tempo  que hoje parece saído de um romance histórico em que namorar envolvia e...