Lembro-me de quando era criança e perguntava tudo. Porque é que o céu é azul, porque é que não posso ir ali, porque é que há coisas que não se dizem. A resposta vinha sempre com um “porque sim” ou num olhar sério que me mandava calar.
Hoje somos todos adultos e dizemos que somos livres. Mas continuamo-nos a calar. Por medo de perder o emprego, por medo de sermos julgados, por medo do que os outros pensam. A liberdade, afinal, ainda assusta.
Até no jornalismo, que devia ser lugar de perguntas, há silêncios que se sentem. Nem sempre por censura, às vezes por cansaço. Outras, por falta de espaço para dizer o que realmente importa.
Liberdade, para mim, é poder dizer que não. Que isto não está bem. Que queremos mais. Que não vamos aceitar tudo o que nos servem. Porque nem tudo o que nos serve nos fica bem.
Mas também é poder dizer “sim” ao que nos faz bem. Às escolhas fora do padrão, ao amor sem rótulos, à coragem de mudar ideia. Ser livre é viver com margem para errar, para tentar outra vez, para não saber tudo.
Não é gritar mais alto, é poder escolher quando falar. E, às vezes, calar por vontade própria. Não porque mandam.
Ser livre não é ter medo, é conseguir respirar mesmo com ele ao lado. E isso, às vezes, já é uma pequena evolução.
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