terça-feira, 13 de maio de 2025

Liberdade para todos (desde que pensem como eu)

A liberdade é um pássaro que todos dizem querer, mas que muitos mantêm engaiolado, por medo, por comodismo, ou por puro esquecimento de como é voar.

Há quem a confunda com o direito de dizer o que pensa sem consequências, mas a verdadeira liberdade começa quando se aceita que os outros também a têm. É fácil exigir liberdade para si; o difícil é concedê-la aos que pensam de forma diferente. Vivemos numa época em que se grita "Liberdade!" num único som, mas só quando todos os coros dizem o mesmo. O “outsider”, o estranho, o que fala fora do ritmo; esse é logo acusado de atrapalhar a melodia.

A liberdade não é só fazer o que se quer, mas também suportar o peso das escolhas. Há quem a troque por segurança, por aprovação, ou por uma vida mais leve, sem perceber que, ao fazê-lo, entrega algo que depois nunca consegue recuperar inteiro. Os tiranos de antigamente impunham grilhetas; os de hoje convencem-nos a colocá-las nós mesmos, em troca de uma falsa sensação de conforto.

E no entanto, a liberdade teima em resistir. Está no gesto do artista que pinta o que não deve, no riso que escapa a uma hora imprópria, no silêncio de quem se recusa a dizer o que não sente. Por vezes, é apenas um ato minúsculo, um não, dito baixinho, um passo dado na direção contrária à da multidão.

No fim, talvez a liberdade seja isto, a coragem de ser incomodativo, mesmo quando o mundo prefere que sejas apenas conveniente.

 

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