terça-feira, 6 de maio de 2025

Os Limites da Liberdade

Desde pequeno que ouço que vivemos numa sociedade livre, onde cada um pode dizer o que pensa, um privilégio imenso, segundo os mais velhos, que travaram uma luta antes de nós pela liberdade, seja ela qual fosse.

Todos os dias, na escola, na esplanada e ainda mais nas redes sociais, falam e usam essa liberdade de expressão como se fosse um passe livre para insultar ou humilhar. E não estou a falar de críticas mais duras, que fazem parte da vida, e que são essenciais. Falo antes daqueles comentários, que se disfarçam de críticas, como se fosse veneno, como piadas com imensa ironia ou comentários desnecessários.

Há momentos em que dou por mim a pensar, se esta tal liberdade ilimitada que a nossa geração pensa que tem, não acabou por nos “cegar” um pouco? Será que podemos falar em liberdade quando as nossas palavras esmagam os outros? Será mesmo liberdade de expressão, se invés de construir, as nossas palavras ou ações destroem? Sinceramente, não sei responder a estas questões, porém, sei que há uma diferença enorme entre discordar de algo e fazer críticas construtivas, e humilhar alguém.

Estas perguntas podem ser vistas como uma armadilha. Sempre que se tenta traçar limites, surge o medo da censura, do abuso do poder, como se fossemos regressar aos tempos antes do 25 de abril, tempos mais sombrios da ditadura.

Pode parecer simples responder a isto, mas não o é. Acho que acima de tudo, temos de pensar que temos liberdade de dizer tudo o que queremos, mas temos de falar com consciência. E perceber que as palavras, mesmo que por vezes inofensivas, têm peso, que podem ser pontes ou muros. Que podem confortar ou agredir.

No fundo, a liberdade de expressão é uma dádiva que temos, porém frágil. E com essa liberdade veio uma grande responsabilidade, preservá-la e usá-la com cuidado, porque, a nossa liberdade termina, quando a do outro começa.

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