sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entre olhares, nasceu o Destino

Há quem diga que o destino não existe, que tudo o que acontece é apenas o resultado de escolhas, de probabilidades, de caminhos que se cruzam por acaso. Talvez seja verdade, mas há momentos em que essa lógica deixa de fazer sentido.

E foi assim que começou.

Dia normal, sem nada que o tornasse especial, cruzaram-se pela primeira vez num banco branco. Um olhar rápido como habitual, e apenas um olá e um sorriso simpático. Algo simples que nunca se imaginava que aquele instante viria a ter importância

Mas teve.

Com o tempo, os encontros começaram a repetir-se como se o tempo e o destino tivesse decidido conspirar a favor deles. No início, eram apenas cumprimentos rápidos como um “bom dia” ou um aceno discreto.

Havia dias em que bastava umas palavras. E havia outros em que uma pergunta nunca chegava, e já iam na segunda, na terceira, prolongando o momento. Conversas simples que acabaram por ter um significado. 

Os meses passaram assim.

Até que, num desses dias aparentemente iguais a tantos outros, tudo mudou.

Ela pediu ajuda. Um gesto simples, mas carregado de confiança. Ele aceitou sem hesitar, como se, no fundo, já soubesse de algo sem o saber. E, nesse instante, algo se alinhou. 

Já não eram apenas encontros. Já não eram apenas coincidências.

Eram escolhas.

A partir dessa altura, o tempo começou a passar de forma diferente. As conversas tornaram-se mais profundas, mais verdadeiras. Comecem a falar de sonhos, de medos, de coisas guardadas que não se partilham com qualquer pessoa. E, no meio dessas palavras, iam se descobrindo. Não só um ao outro, mas também a si próprios. 

Os olhares já não fugiam. Ficavam.

E havia algo no ar, uma certeza silenciosa, quase impossível de explicar. De que aquilo não era passageiro. 

Talvez o destino não seja escrito, mas algo sentido. Algo que aparece e cresce nos pequenos momentos, naqueles detalhes quase invisíveis, nos encontros que insistiam em acontecer até deixarem de ser coincidência. 

Porque, no fundo, nenhum deles planejou aquilo.

Mas ambos começaram, sem dar conta, a precisar da presença um do outro.

E foi então que perceberam: não era apenas um acaso.

Era o início de algo que valia a pena.

Um caminho que cruzou-se, mas que já não fazia sentido separar. Um encontro que deixou de ser breve para se tornar essencial. Um sentimento que nasceu devagar, mas que quando revelou-se, já era impossível de negar. 

E, talvez, o mais bonito de tudo seja isto:

De entre milhões de caminhos possíveis, eles encontraram-se.

E decidiram ficar.

 

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