Nas aldeias, o comércio local continua ainda a ser muito importante para todos aqueles, que nela habitam. Nessas lojas de comércio local, não há a música alta, nem as promoções em cartazes fluorescentes, apenas uma música de ambiente, a conversa com os clientes e o arrumar sossegado das prateleiras.
No
comércio local não é apenas para vender os produtos das prateleiras, é
diferente. Nestas lojas quem entra não é só cliente, é o “filho de alguém”, “a
senhora que mora na rua de cima”, o menino que vem sempre comprar um geladinho”.
São estas pequenas coisas, que criam as memórias, sem a presença de
tecnologias, sem pressa, feita de pequenos gestos e hábitos repetidos.
Antigamente
e nos tempos dos nossos bisavós, avós, o que existia nas aldeias e mesmo nas
cidades era apenas as lojas de comércio local. O ir às compras deles, não eram
apenas ir às compras, como nós atualmente fazemos, era de uma maneira
diferente. Quando eles iam às compras faziam-no de uma forma sossegada, calma e
de muitas histórias e memórias que contavam e que viviam enquanto faziam as
suas compras. Isto é possível, porque nas aldeias a maioria das pessoas
conhecessem umas às outras e conviviam muito, porque não saiam das aldeias e
estavam sempre com essas mesmas pessoas.
Hoje em
dia, esta realidade é bastante diferente, o comércio local continua a existir,
mas já de uma forma muito diferente. Isto deve-se a existência de uma enorme
diversidade de supermercados e não só, pelo aparecimento das tecnologias e de
novas formas de fazer compras, porque à distância de um clique, podemos fazer
compras online e tê-las à porta de casa. E no meio disto tudo, perdeu-se e está
a perder-se alguma coisa difícil de nomear. Talvez seja o tempo. Talvez seja o
encontro. Talvez seja essa estranha sensação de pertencer a um lugar.
As lojas
das aldeias começam a fechar, e existem cada vez menos lojas de comércio local.
Porque as pessoas mais antigas, eram elas quem compraram nestas lojas e
atualmente existe este problema pelo facto de as pessoas já não comprarem
nestas lojas e irem comprar para supermercados maiores com uma maior
diversidade de produtos e de marcas. E, no entanto, ainda há resistentes. Abrem
a porta do seu estabelecimento, não apenas para vender, mas para manter aquilo
que é uma certa ideia de comunidade.
Esta
situação acontece, pois a maioria das pessoas que fazem compras nestas lojas de
comércio local nas aldeias, são as pessoas com idade mais avançada, ou não têm
transporte para irem a outros sítios, também estão mais debilitados na saúde e
preferem assim fazer a sua rotina ali na aldeia, mas também preferem continuar
a ter um momento de convivência na loja da aldeia, onde vão todos os dias
comprar o pão e ter sempre uma conversa com quem encontram pelo caminho, mesmo
com a senhora da loja e com os clientes,
que por vezes são amigos, vizinhos, família.
As pessoas
mais jovens, já não frequentem muito as lojas de comércio local nas aldeias,
essas pessoas preferem frequentar os supermercados que têm uma maior
diversidade de produtos e marcas, mas também para essas pessoas assim o exige
irem outros sítios, uma vez que se temos mais diversidade vamos sempre às vezes
experimentar coisas novas e atualmente com o preço das coisas, temos sempre em
atenção os preços de supermercado para supermercado. Com isto, não é uma
crítica às pessoas que não frequentem as lojas de comércio local, é
perfeitamente compreensível que as pessoas mais jovens vão a esses
supermercados maiores nas cidades, porque sempre estiverem habitados assim e
agora tornou-se uma rotina para essas pessoas, e as pessoas mais idosas
frequentem esses sítios, porque tiveram toda a sua vida a frequentar esses
lugares e fazem disso uma parte da sua rotina no seu dia a dia.
Por isso,
independentemente da existência de novos supermercados e de novos investimentos
de supermercados, produtos, marcas, acho assim que as lojas de comércio local,
devem continuar a existir nas aldeias, porque se acabar as pessoas que
frequentem essas lojas iriam ficar sem a loja onde foram toda a sua vida e além
disso com o fecho das lojas, a aldeia começa a ficar mais pobre, com menos
convivência, com menos conversa, e mais pobre.
O comércio
local não é perfeito, nem precisa de ser, como nada na vida é. Mas é humano, e
talvez seja isso que o torna tão frágil, tão necessário, tão memorável e tão
interessante.
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