Há poucas coisas tão inevitáveis na universidade como os trabalhos de grupo. À partida, a ideia parece simples: colaborar, dividir tarefas, aprender em conjunto. Na prática, sobretudo em Portalegre, onde os grupos acabam por se cruzar dentro e fora da sala, tudo ganha outra complexidade.
O grupo forma-se com alguma rapidez. Trocam-se contactos, define-se um tema, marcam-se reuniões. No início, há entusiasmo. Todos querem contribuir, todos têm ideias. Fala-se de organização, de prazos, de divisão equilibrada do trabalho. Há uma espécie de acordo silencioso: isto vai correr bem.
Mas, com o tempo, a dinâmica começa a alterar-se. Há sempre alguém que responde menos às mensagens, alguém que adia, alguém que não aparece. E há também aquele que, por hábito ou necessidade, acaba por assumir a maior parte do trabalho. O equilíbrio, que parecia tão fácil no início, revela-se difícil de manter.
As reuniões tornam-se mais raras ou menos produtivas. As discussões alongam-se, mas nem sempre chegam a conclusões claras. E, muitas vezes, o grupo deixa de ser um espaço de construção coletiva para se tornar apenas uma forma de cumprir uma obrigação académica.
Ainda assim, há algo de interessante neste processo. Mais do que sobre a matéria, aprende-se sobre pessoas. Sobre responsabilidade, compromisso e limites. Sobre o que acontece quando vários ritmos têm de coexistir.
No final, o trabalho é entregue. A nota chega. E o grupo dissolve-se quase de imediato, como se aquela pequena comunidade temporária nunca tivesse existido.
Fica, no entanto, a experiência que nem sempre é fácil, mas difícil de ignorar.
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