A verdade é que desaprendemos a arte de não fazer nada. E não me refiro a deitar no sofá a fazer scroll infinito no ecrã do telemóvel porque isso, embora pareça descanso, continua a ser consumo ativo de informação. Refiro-me ao ócio puro, àquele tédio gerador de ideias que os gregos antigos tanto defendiam.
Pensamos que estamos a otimizar a vida quando ouvimos um podcast enquanto cozinhamos, ou quando respondemos a e-mails na passadeira do ginásio. Mas a que custo? A nossa mente tornou-se um navegador de internet com demasiadas abas abertas em simultâneo. O computador acaba por bloquear, e nós também.
O verdadeiro luxo dos nossos dias já não é a posse de objetos caros; é a posse do nosso próprio tempo. Reivindicar uma tarde para ver as nuvens passar, para tomar um café sem olhar para o relógio ou para, simplesmente, deixar o pensamento circular sem rumo, não é preguiça. É um ato de resistência e de sobrevivência mental. Afinal, as melhores ideias da humanidade não nasceram sob a pressão de uma data-limite (deadline), mas sim no silêncio de um momento de pausa.
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