Imigração
A pergunta que mais oiço desde que cheguei em Portugal é “como é morar longe da família? E por que razão escolhi esta vida?”. Se eu for explicar o motivo da escolha de sair do meu país de origem eu podias passar semanas e semanas a escrever, tendo em conta que Cabo Verde é um país que não tem recursos naturais, tem 9 ilhas habitadas e dispersas no meio do oceano atlântico, e com muitos problemas por resolver.
Tive oportunidades de entrar em faculdades em Cabo Verde e conseguiria uma boa formação a nível académico, porem eu sempre quis sair da casa dos meus ais para explorar e conhecer coisas novas.
E foi o que aconteceu, no auge dos meus 20 anos, deixei a minha família para trás, vim morar sozinha num país totalmente desconhecido, um pouco mais desenvolvido do que o meu país de origem e com muitas oportunidades a nível académico, neste mesmo período tive a oportunidade de ver de fora e sentir na pele o que a maioria das pessoas negras sentem todos os dias na pele.
Em pleno ano 2023, fala-se muito nos direitos iguais e na justiça, mas ao meu ver, penso que ainda há muito o que fazer, comentários maldosos, ser destratada só pelo facto de ser preta e ter um cabelo cacheado é o suficiente para ser julgada, e ser tratada de uma forma diferente em relação as outras pessoas brancas.
O sentimento e exclusão e o medo de ser rejeitada a qualquer momento está sempre presente e isto me fez ter coragem para enfrentar os meus medos, tive de sair da minha zona de conforto, aprendi a apreciar mais a minha própria companhia, e sobretudo aprendi a lidar com o etnocentrismo de algumas pessoas e alguns gestos e comentários racistas de algumas pessoas.
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