Existe amores que entram devagar na vida de uma pessoa, quase sem pedir licença. Chegam em conversas pequenas, em olhares demorados, em detalhes tão simples que ninguém imaginava um dia ser possível. E depois, sem percebermos quando aconteceu, aquela pessoa passa a morar nos nossos pensamentos, nos nossos hábitos, nos nossos silêncios. Passa a fazer parte daquilo a que chamamos “VIDA”.
E começa a nascer o medo.
O medo de perder alguém não começa no fim, mas sim quando percebemos o quanto a presença da pessoa nos acalma. Amar alguém é entregar uma parte vulnerável de nós. É confiar nas mãos de outra pessoa algo que demorámos anos a construir, o coração.
“Não te quero perder” não é apenas uma frase romântica, é uma confissão, é carinho, é a tentativa de salvar algo antes que o tempo, a distância ou o silêncio o destruam.
Existem muitas formas de perder alguém.
Há quem se perca por falta de amor, mas há quem se perca apesar dele. Acabamos por perder-nos no excesso de orgulho, nas palavras que não dissemos, nas mensagens ignoradas, nas discussões que começaram por coisas pequenas e que criaram muros enormes. Às vezes duas pessoas amam-se profundamente e mesmo assim afastam-se, porque amar nem sempre significa saber cuidar.
Talvez o amor seja exatemente isso: cuidado.
Cuidar é reparar quando o outro muda o tom de voz, é perceber o cansaço escondido atrás de um “está tudo bem”. É ficar nos dias difíceis, quando já não existe encanto cinematográfico nem frases perfeitas, porque o verdadeiro amor não vive apenas dos momentos bonitos, mas sim da paciência, da compreensão e da escolha diária de ficar.
Existem noites em que o medo de perder alguém pesa mais do que o próprio sono. Acabamos por ficar presos em memórias, a ler conversas antigas, a reviver os abraços, a pensar em tudo o que ainda queríamos dizer. E no meio disto percebemos algo assustador, algumas pessoas tornam-se insubstituíveis.
Não porque sejam perfeitas, porque nos conhecem de uma forma que ninguém mais conhece. Sabem onde sorrimos, onde fingimos ser fortes e mesmo assim escolhem ficar.
Talvez seja por isso que custa tanto imaginar a ausência, porque perder alguém que amamos não é apenas perder uma pessoa, mas perder uma rotina, um refúgio, uma versão de nós mesmos que só existia com ela.
O amor tem outro lado, o lado bonito da coragem. Dizer a frase “não te quero perder” exige verdade, exige baixar defesas, abandonar máscaras e admitir dependência emocional num mundo que nos ensina a parecer frios e independentes.
No fundo, só queremos alguém que lute por nós. Alguém que, no meio do caos, escolha ficar. Alguém que transforme despedidas em recomeços.
Talvez o amor verdadeiro não seja aquele que nunca falha, mas aquele que mesmo ferido, ainda encontra força para dizer:
“FICA. ENTRE TUDO O QUE A VIDA ME PODE TIRAR, PERDER-TE SERIA A DOR QUE EU NÃO SABERIA SUPORTAR”
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