segunda-feira, 18 de maio de 2026

O Banco da Praça

Existe, no centro da minha cidade, um banco de jardim que parece guardar segredos. Não é diferente dos outros: tem a tinta já gasta pelo tempo, algumas marcas feitas por mãos distraídas e está debaixo de uma árvore antiga. Ainda assim, quem passa por ele sente que há algo especial naquele lugar.


Dizem os mais velhos que aquele banco escuta histórias há dezenas de anos. Já ouviu risos de crianças, promessas de namorados, desabafos silenciosos e até lágrimas escondidas ao cair da noite. É como se cada pessoa que ali se sentasse deixasse um pedaço de si, uma memória invisível presa entre a madeira envelhecida.


Certa tarde, decidi sentar-me ali por curiosidade. O movimento da praça continuava à minha volta, mas naquele banco havia uma estranha sensação de calma. Fechei os olhos por um instante e imaginei quantas vidas já teriam passado por ali, quantos sonhos começaram ou terminaram naquele mesmo lugar.


Enquanto pensava nisso, reparei numa pequena inscrição gravada num dos cantos: “Volto sempre.” Eram apenas duas palavras, mas carregavam um mistério enorme. Quem as teria escrito? Alguém que partiu e prometeu regressar? Alguém que encontrou naquele banco um refúgio para os dias difíceis?


Desde esse dia, passei a olhar para aquele banco de forma diferente. Percebi que, por vezes, os lugares mais simples guardam as histórias mais bonitas. Nem sempre são precisos grandes monumentos para marcar a memória de uma cidade; às vezes, basta um velho banco de praça e a imaginação de quem nele se senta.


Hoje, sempre que passo por lá, sorrio. Gosto de pensar que ele continua a colecionar histórias, à espera de novos visitantes. E talvez, sem perceber, eu também já tenha deixado ali um pequeno pedaço da minha.



Tamir Varela

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