Hoje em dia, toda a gente tem opinião sobre tudo.
Não interessa se percebe do assunto ou não, o importante é falar primeiro e
pensar depois. Às vezes nem o pensar chega a acontecer.
Antigamente, para alguém dar opinião em público, era preciso
estudar, investigar ou, no mínimo, saber do que estava a falar. Hoje basta ter
internet, duas horas livres e coragem suficiente para escrever: “Vou ser
cancelado por dizer isto, mas…”.
E o mais impressionante é a velocidade.
Ainda uma notícia acabou de acontecer e já existem especialistas em política,
medicina, futebol, guerras internacionais, tudo na mesma caixa de comentários.
Há pessoas que conseguem analisar conflitos mundiais enquanto comem cereais e
discutem no WhatsApp sobre onde jantar logo à noite. Um talento impressionante.
Parece que ficar calado virou sinal de fraqueza. Se acontece
alguma coisa no mundo, dá a ideia que há uma pressão para comentar, repostar,
indignar-se e escrever textos enormes como se o planeta estivesse à espera
daquela opinião para continuar a rodar.
E claro, ninguém diz apenas “não sei”.
Essa expressão está praticamente em vias de extinção. Hoje prefere-se inventar,
exagerar ou repetir a opinião de alguém famoso, mas com palavras diferentes,
para parecer original.
O problema nem é existirem opiniões. Isso sempre existiu. O
problema é a necessidade quase doentia de opinar sobre absolutamente tudo. Um
vídeo de um gato a cair de uma cadeira já é suficiente para gerar debates
filosóficos sobre a sociedade atual.
Toda a gente quer responder, corrigir, ensinar ou ganhar a
discussão. Pouca gente quer realmente perceber, talvez o silêncio hoje incomode
tanto porque obriga as pessoas a fazer uma coisa que já não praticam muito, pensar
antes de falar.
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