segunda-feira, 18 de maio de 2026

A pandemia das opiniões

 

Hoje em dia, toda a gente tem opinião sobre tudo.
Não interessa se percebe do assunto ou não, o importante é falar primeiro e pensar depois. Às vezes nem o pensar chega a acontecer.

Antigamente, para alguém dar opinião em público, era preciso estudar, investigar ou, no mínimo, saber do que estava a falar. Hoje basta ter internet, duas horas livres e coragem suficiente para escrever: “Vou ser cancelado por dizer isto, mas…”.

E o mais impressionante é a velocidade.
Ainda uma notícia acabou de acontecer e já existem especialistas em política, medicina, futebol, guerras internacionais, tudo na mesma caixa de comentários. Há pessoas que conseguem analisar conflitos mundiais enquanto comem cereais e discutem no WhatsApp sobre onde jantar logo à noite. Um talento impressionante.

Parece que ficar calado virou sinal de fraqueza. Se acontece alguma coisa no mundo, dá a ideia que há uma pressão para comentar, repostar, indignar-se e escrever textos enormes como se o planeta estivesse à espera daquela opinião para continuar a rodar.

E claro, ninguém diz apenas “não sei”.
Essa expressão está praticamente em vias de extinção. Hoje prefere-se inventar, exagerar ou repetir a opinião de alguém famoso, mas com palavras diferentes, para parecer original.

O problema nem é existirem opiniões. Isso sempre existiu. O problema é a necessidade quase doentia de opinar sobre absolutamente tudo. Um vídeo de um gato a cair de uma cadeira já é suficiente para gerar debates filosóficos sobre a sociedade atual.

Toda a gente quer responder, corrigir, ensinar ou ganhar a discussão. Pouca gente quer realmente perceber, talvez o silêncio hoje incomode tanto porque obriga as pessoas a fazer uma coisa que já não praticam muito, pensar antes de falar.

 

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