Ser bombeiro não é apenas heroísmo.
Há dias que começam cedo e acabam tarde, com cansaço acumulado e poucas horas de descanso. O dia pode ser longo, mas o desgaste é maior. Nem sempre há incêndios impressionantes, mas existe pequenas ocorrências, acidentes, quedas, pessoas doentes, situações repetidas que vão sempre exigir a mesma atenção de sempre.
Ser bombeiro é lidar com o imprevisível, mas também com a rotina. Equipamentos que nem sempre estão como deviam, a falta de meios e as decisões rápidas com o que há disponível.
E depois também há o lado humano, que raramente aparece nas notícias. Observar o sofrimento de perto acaba por deixar marcas, mas nem todos falam disso e acabam por levar o peso para casa. E por vezes, essas ocorrências ficam na cabeça mais tempo do que deviam.
Sentimos uma frustração quando não se chega a tempo ou quando nem sempre tudo corre bem e isso acaba por custar imenso, mesmo quando se sabe que foi feito tudo o que era possível.
Ao contrário do que muita gente pensa, não é uma profissão bem paga, mas é uma profissão de ouro. Muitos são voluntários e conciliam a vida de bombeiro com outros trabalhos, e fazem-no mais por sentido de dever do que por reconhecimento.
Mas existe algo que mantém as pessoas nos bombeiros.
Não é apenas salvar vidas, porque não acontece todos os dias. É sim a ideia de estar disponível quando alguém precisa, mesmo que seja para algo simples. É a entreajuda dentro da equipa, o saber que se pode confiar nos outros quando alguma situação acaba por apertar.
Ser bombeiro é estar presente nos bons e nos maus momentos, mesmo quando significa ignorar o próprio cansaço.
Não é uma vida fácil, nem justa, mas é uma vida real que nos escolhemos e que exige mais do que apenas coragem. Exige resistência.
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