sexta-feira, 10 de junho de 2022

Ser ou Ter

 Numa conversa que tive com umas colegas de trabalho estávamos a falar sobre o ter ou ser, a minha mente comecou a divagar e sinceramente acho que, a maioria das vezes, fico perdida e começo a ser o que tenho (bens materiais) e não Ser, seja em termos de personalidade seja em termos de valores e sentimentos perante certas situações que nos acontecem na vida. E está errado, sinto que está errado. Sinto-me perdida e sem perceber quem sou e o que quero ser como pessoa, como mulher.

Nós podemos Ter tudo e um par de botas mas por dentro não sermos nada, não sentirmos nada para além do vazio, do desalento de não nos sentirmos. Sinto falta daqueles finais de tarde, em que as aulas acabavam e o pessoal se juntava a desfrutar de uma bela cerveja fresquinha e uns amendoins e a falar e rir sobre o que íamos fazer no futuro - o que iriamos SER. A sensação de expectativa, de assombro e nervoso miudinho por causa do desconhecido mas com uma sensação de que vencíamos tudo e iriamos ser o que quiséssemos, desde que nos esforçássemos para isso.

Na maioria das vezes deixamo-nos engolir por tudo e todos. Pelas expectativas que criamos e depositamos nos nossos ombros, pelo que os outros querem para nós, pelo que queremos Ter (mais dinheiro, um carro, um computador melhor, um telemóvel topo de gama, roupas, casa nova, etc.), pela realidade do que não temos e acabamos por nos esquecer do que somos ou queremos ser: -Será que somos felizes? E seremos felizes com tudo o que conseguimos Ter? Ou será que basta um sorriso, uma conversa com amigos, ter saúde, ser como somos (pequenos ou grandes, magros ou gordos) mas com a certeza de quem somos e daquilo que somos e que podemos SER tão grandes tanto como a nossa alma ou o amor for grande.

Precisamos de parar de correr atrás do Ter e começarmos a corrida atrás do Ser: ser amigo, ser amado e amar, ser um melhor ser humano.

A minha convicção é de que, quando SOMOS, ficamos mais felizes e melhor do que quando Temos


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