Há uns anos, o maior medo era que as máquinas começassem a pensar como humanos.
Atualmente, o problema é que os
humanos começaram a pensar como máquinas.
Tudo tem de ser feito mais rápido,
eficaz e automático. As pessoas já não perdem tempo a escrever um texto,
responder a um e-mail ou até mesmo palavras para se pedir desculpas. Mas existe
sempre uma inteligência artificial a fazer isso por nós e faz isso de uma forma
instantânea.
Também já me deparei com pessoas a
usarem a inteligência artificial para escrever uma mensagem romântica. A
máquina escolheu as palavras, os emojis e mesmo o tom. Mas isto dá que pensar,
será que isto ainda é o mesmo amor que existia antes?
A inteligência artificial entrou na
nossa vida da mesma forma que entrou o Wi-Fi, em primeiro é um luxo, depois é
indispensável e agora ninguém imagina viver sem ela. Por exemplo, pedimos para
ela resumir os livros que não queremos ler e escrever textos que fingimos ser
nossos.
Mas nem tudo é um mar de rosas,
podemos estar a criar uma geração sem vontade de pensar e uma geração que sabe
pedir respostas, mas desaprendeu a fazer perguntas.
A IA não é a vilã da história,
porque a culpa não é da ferramenta. Um martelo tanto constrói uma casa como
parte uma janela. Ela ajuda estudantes, médicos, artistas e pessoas comuns, mas
também ajuda a ter conhecimento a quem nunca teve acesso a ele.
O maior problema e perigo, é quando
deixamos de usar a máquina como um apoio e a usamos como substituto. Substituto
da criatividade, do esforço, da reflexão e até da nossa própria voz.
Porque escrever mal e dar erros é
humano; hesitar também; apagar frases, mudar ideias e procurar palavras de
várias maneiras faz parte da experiência de pensar.
Se calhar uma máquina escreve um
poema perfeito, mas ainda não sente e será assustador se um dia sentir o
silêncio depois de uma discussão, o nervosismo antes de uma despedida ou o peso
de certas memórias.
E talvez seja aí que o ser humano
continue a ganhar. Não na velocidade, não na eficiência, mas sim na
imperfeição.
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