A vida comum de uma médium clarividente, não é algo agradável mas sim marcada por noites em claro e a sensação constante de estar sendo observada . De modo que o sentimento de medo se faz presente em vários ocasiões onde não há perigo eminente. Onde as pessoas não acreditam. As que tem um leve conhecimento romantisam e pessoas que de facto vivem a espiritualidade tem a certeza que não é nada fácil e reconhecem o pesso que se carrega.
Nunca fui uma menina comum, por mais que sempre levei uma vida relativamente comum . Desde criança tive contacto com o mundo espiritual e quanto mais conheço do assunto mais próxima quero estar de Deus . O chamado veio quando eu era criança, onde sempre brincava com amigos que mais ninguém via e sussurravam coisas que iriam acontecer e por incrível que seja de acreditar, eles sempre estavam certos.
Na minha infância íamos nas Segundas, Quartas e Sextas num lugar chamado Racionalismo Cristão , era como um centro espírita. Gerido por alguns médiuns . E ali eu vi tantas coisas que se eu contar não acreditariam.
Desde de pequenina eu via vultos , mas o auge dessas aparições foi nos meus 15 anos , onde o meu estado de espírito estava muito baixo e minha vontade de viver menos ainda, eu tinha várias paralesias do sono e o mais marcante foi o homem da capa preta e com um chapéu pontiagudo ,ele era preto e parecia que segurava uma bengala. Ele ficou parado na porta do meu quarto me encarando , ele não se mexia mas também não quebrava o contacto visual. Eu não sentia medo e não conseguia me mexer, nem emitir nenhum unico son. Consegui sair do transe e corri para o quarto da minha mãe.
Apartir dali as coisas se intensificaram , passei a vê-los mesmo durante o dia . Ate que eu tinha crises de pânico só de imaginar dormir sozinha. Durante as paralesias eu sentia toques e o meu corpo inteiro ficava dolorido , tinha noites que me tiravam da cama e jogavam de volta com certa brutalidade.
Há silêncios que pesam mais do que gritos. Naquelas noites o ar do quarto ficava gelado,tão denso que respirar parecia rasgar os pulmões. Eu sabia que eles vinham mesmo antes de os ver. Era o son do chão que não rangia sob passos reais , o eco de sussurros que não passavam pelos ouvidos, mas que ecoavam diretamente dentro da minha mente , frios e malévolos. Sentir garras invisíveis apertar me o pescoço enquanto minha voz morria na garganta , ensinou me o verdadeiro significado de desespero .
Não era apenas um pesadelo, era a certeza absoluta, de que no escurro , eu nunca estava sozinha . E o pior de tudo ? Eles sabiam que eu conseguia ver .
Para tentar livar me dessa perseguição espiritual , comecei a estudar o mundo espiritual e como funcionava. Ao adquirir este conhecimento comecei a sair do transe e voltar a realidade e o mais difícil foi fechar o meu corpo de modo que eles não consigam controlar minha mente .
Hoje em dia nada me apavora e sempre sei oque dizer para afastar os obsessores de perto de min. Eles são seres que não aceitaram a sua própria morte , e se agarram aos vivos porque é a única forma de se aproximarem da luz. Podem ter contas pendentes ou possuem muita magua ou maldade . Porém é sempre melhor os manter longe .
Quando sentires que estas demasiado angustiado , cansado , ou extressado sem motivo aparente pode ser que es vítima de um obsessor , então muito cuidado com o que fazes e o que falas , porque não sabes quem ou oque te acompanha. O mundo espiritual é real e tudo aqui , reflete la .
Este conhecimento no entanto, não veio para eu me tornar superior ou para que eu vivesse com medo . Pelo contrário. Hoje , compreendo que a mediunidade é uma ferramenta de serviço, um canal para levar equilíbrio e auxiliar na transição de almas que, por vezes ,se perdem .
Fechar o corpo , não significa fechar o coração,e sim , sentir e filtrar oque permitimos que nos toque . A minha jornada transformou o medo em propósito, e assim , sigo .
Arlinda do Rosário
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