Nasci em Lisboa, entre o barulho dos elétricos, o cheiro do café acabado de tirar e a pressa das pessoas que nunca param. Cresci numa cidade cheia de vozes diferentes, onde cada rua parece guardar uma história antiga. Há dias em que Lisboa parece pequena, quase uma aldeia. Outros dias, parece um mundo inteiro.
Tenho 20 anos e, apesar de ainda me sentir no início de tudo, já carrego muito da cidade em mim. Aprendi cedo a olhar para o Tejo como quem procura respostas. Há qualquer coisa naquele rio que acalma. Talvez porque continua sempre ali, mesmo quando tudo muda.
As minhas origens não vivem apenas no lugar onde nasci. Vivem também nos hábitos pequenos. No pão quente ao domingo. Nas conversas demoradas à mesa. Na maneira como os portugueses reclamam de tudo, mas defendem o seu país com orgulho quando alguém de fora o critica. Vivem na saudade que aparece sem aviso e naquela mania de dizer “logo se vê”, mesmo quando o futuro assusta.
Lisboa ensinou-me a andar depressa, mas também a parar. Ensinou-me a ouvir histórias de pessoas diferentes e a encontrar beleza nas coisas simples. Nas roupas estendidas nas varandas, nos miradouros cheios ao fim da tarde, nos músicos de rua que transformam o silêncio em companhia.
Às vezes penso que crescer em Lisboa é aprender a viver entre o antigo e o novo. Entre prédios velhos e sonhos modernos. Entre a tradição e a vontade de partir para conhecer mais. Talvez por isso muitos jovens da minha idade sintam uma ligação estranha à cidade: queremos sair, mas levamos sempre Lisboa connosco.
As minhas origens são feitas disso tudo. Da cidade onde nasci, da língua que falo, das pessoas com quem cresci e das memórias que ainda estou a construir. E mesmo sem saber exatamente quem vou ser daqui a uns anos, há uma coisa que sei, haverá sempre um pedaço de Lisboa na pessoa em que me tornar.
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