Eu queria voltar a uma vida que não me pertence mais , reviver experiência passadas e me expressar sem ter medo do julgamento do próximo , viver de forma livre e espontânea.
Conviver com os meus pais como se eu só dependesse deles para ser feliz , amar intensamente e ser amada da mesma forma. Ser tocada por mãos cuidadosas e respeitosas .A minha família me fazia sentir como se eu fosse uma pequena diamante ,completamente frágil.
A minha lembrança favorita da infância, é e continua a ser a paciência que o meu amado avô tinha comigo . Recordo do cheiro dele , da melodia da sua gargalhada e da beleza do seu sorriso. Ele vestia sempre camisa de botões com uma camisola de interior branca , eu adorava posicionar me entre as suas pernas e desabotoava os botões da camisa e abotoar lhes de volta repetidas vezes, ele não se zangava, pelo ao contrário continuava sempre com a sua expressão serena e calmo .
Eu vivia uma vida feliz , os almoços de domingo na casa dos avós, que eu os chamo carinhosamente de mama e papa , com toda a família reunida , só de lembrar consigo sentir o cheiro de casa , eu e meus primos corríamos a casa inteira e riamos de histórias que era suposto não intendermos , onde a nossa maior diversão era subir em árvores e fazer bolos de lama . Eu nunca fui tão feliz como eu era numa quarta qualquer na minha infância.
De vez em quando, pego me rindo com as lembranças que tenho de casa e sinto um enorme orgulho de onde eu vim. O estranho é sair de um lar barulhento e ter que lidar com o silêncio de estar só , à um mar de distância daqueles que moldaram a sua personalidade.
Lembro me de como tudo era fácil na infância, onde minha maior preocupação era acordar cedo no fim de semana para assistir desenhos animados na tv, acompanhada com um leite quentinho de Nesquik , e a casa silenciosa pois todos ainda dormiam. Essa era a maior felicidade de uma criança.
Não consigo me lembrar da última vez que brinquei de boneca , mas me lembro quando deixei de ser criança. Aos catorze anos , passei pelo maior perda que já vivi ate agora . Perdi o meu papa , meu querido avô. E o mais triste é que já não consigo me lembra da sua voz, a mesma que me contava histórias e me repreendia quando necessário.
Desde esse dia , nunca mais fui a mesma. O luto é uma ferida que continua aberta , nós só aprendemos a conviver com a dor, e o buraco que deixa não se preenche com nada .
Acredito que há pessoas que simplesmente a convivência cria a conexão e há outras que parece ser o encontro entre duas almas que se amaram através das reencarnações . O vazio deixado por essas pessoas, não têm palavras que sejam capazes de o descrever.
A inocência de acreditar que quando eu crescer tudo iria ser diferente, viviria aventuras novas todos os dias . De facto tudo é diferente, creio que varia pela forma que se vê o mundo e as experiências ja vividas.
Para minha amada infância , não sei porque quiz eu tanto te deixar , se foi contigo que vivi o melhor da vida .
Arlinda do Rosário.
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